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Coronel Fabriciano, 29 de fevereiro de 2024

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Na Assembleia Geral da CNBB, bispos vivenciam momentos de espiritualidade num ambiente de fraternidade e comunhão
24/04 Notícias da Igreja
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Neste final de semana, sábado (22) e domingo (23), durante a 60ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o episcopado esteve reunido em retiro. O pregador deste momento foi o Arcebispo de Aparecida (SP), dom Orlando Brandes, com o tema: “O amor de Deus”.

Retiro

Ao iniciar o retiro, dom Orlando conduziu os bispos à reflexão sobre o amor de Deus revelado nas Escrituras desde a criação do mundo, “antes do nascimento esse Amor é incondicional”. Citando o fundador dos Xaverianos, diz que: “A Bíblia é a carta do amor de Deus para a Humanidade” (São Guido Maria Conforti). Com base nas Escrituras Santo Agostinho diz: “Que maior causa pode haver na vinda do Senhor senão mostrar-nos Deus o seu amor?”.

Algumas frases que dom Orlando utilizou para conduzir o retiro no primeiro momento: “Nossa genealogia começa em Deus e termina em Deus” (São João Paulo II); “Qual é a medida de se amar a Deus? É amá-lo sem medida”! (Santo Agostinho); “Sou bispo por causa do Amor de Deus” (São Cipriano); “O bispo deve temperar suas obras com o sal do Amor de Deus” (São João Crisóstomo).

A segunda parte da reflexão sobre o Amor de Deus, dom Orlando utiliza-se da espiritualidade a partir do Rito de Ordenação Episcopal: “Queres desempenhar até à morte a missão a ti confiada?” Dito isto, relembra os bispos que ao dizer o “Sim” ele passa a assumir e viver os martírios cotidianos, amar os mais pobres e ter a centralidade da sua vida na Palavra de Deus.

“Fomos ordenados pela misericórdia de Deus: Ele nos ama e nos torna capazes de amar; a amabilidade deve ser um hábito em nossa vida. Nossa carteira de identidade é o amor de Deus, o nosso credo, o carimbo da nossa vida, que ninguém e nada pode tirar. A cruz de Cristo é o amor excessivo, extremo e redentor”.

No domingo, 23, dom Orlando abordou o “Amor de Deus” a partir da humanidade de Maria no Magnificat, com o tema: “Como Maria experimentou o amor de Deus”. “Deus é o meu salvador, olhou para a minha fraqueza, fez em mim maravilhas, ele é poderoso e santo, é misericordioso, sacia os famintos, exalta os humildes, realiza as suas promessas” (cf. Lc 1,46-55). Ele complementa, citando algumas atitudes de Maria: “Maria como a servidora, sensível aos acontecimentos, aquela que busca uma solução (Jo 2,1-11 – bodas de Caná), a parteira (Lc 1,39-56 – visita a Isabel), aquela que caminha três dias em busca do filho (Lc 2,41-52), que vai a procura de Jesus na sua pregação: sua mãe está aqui (Mt 12,46-50)”. Todas as atitudes de Maria são atitudes humanas.

Ao final de sua pregação compartilha com os bispos um texto, pessoal, sobre a parábola do bom samaritano, na qual diz: “a única via de saída para reconstruir este mundo é o bom samaritano… que não espera reconhecimentos, elogios ou vantagens pessoais. Ele se aproxima, se faz próximo, deixa de lado a indiferença, porque o amor se abre para todos”.

Após as explanações de dom Orlando, os bispos participaram, na manhã de domingo (23), de uma Celebração da Reconciliação conduzida pelo arcebispo metropolitano de Montes Claros (MG), dom José Carlos de Souza Campos. Em seguida, saíram em procissão com a imagem de Nossa Senhora Aparecida até o santuário, no qual participaram da missa presidida pelo núncio apóstolico no Brasil, dom Giambattista Diquattro.

Outros momentos de oração dos Bispos durante a Assembleia

Todos os dias durante a Assembleia os bispos realizam momentos de oração: no período da manhã, fazem a Oração das Laudes; ao retorno das atividades, no período da tarde, rezam a Hora Média e, para finalizar o dia, no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, rezam o Terço às 18h, e dão continuidade com a Missa com Vésperas.

Liturgia das Horas

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) define a Liturgia das Horas sendo “O mistério de Cristo, a sua Encarnação e a sua Páscoa, que celebramos na Eucaristia, especialmente na assembleia dominical, penetra e transfigura o tempo de cada dia pela celebração da Liturgia das Horas, «o Ofício divino» (52). Esta celebração, na fidelidade às recomendações apostólicas de «orar sem cessar» (53) «constituiu-se de modo a consagrar, pelo louvor a Deus, todo o curso diurno e noturno do tempo» (54). É «a oração pública da Igreja»(55), na qual os fiéis (clérigos, religiosos e leigos) exercem o sacerdócio real dos batizados. Celebrada «segundo a forma aprovada» pela Igreja, a Liturgia das Horas «é verdadeiramente a voz da própria Esposa que fala com o Esposo; mais ainda, é a oração que Cristo, unido ao seu corpo, eleva ao Pai» (56)” (CIC 1174).

Todos os dias, em todos os lugares do mundo, leigos, religiosos/as, padres e bispos rezam a Liturgia das Horas. A liturgia das horas é a declamação de Salmos e cânticos em determinados momento do dia. Ela está “destinada a tornar-se a oração de todo o povo de Deus” (CIC 1175). “A Liturgia das Horas, que é como que um prolongamento da celebração eucarística” (CIC 1178).

“Os fiéis que celebram a Liturgia das Horas unem-se a Cristo, nosso Sumo-Sacerdote, pela oração dos salmos, a meditação da Palavra de Deus, os cânticos e as bênçãos, a fim de serem associados à sua oração contínua e universal, que dá glória ao Pai e implora o dom do Espírito Santo sobre o mundo inteiro” (CIC 1196).

A Liturgia das Horas é dividida em quatro momentos: Laudes, Hora Média, Vésperas e Completas. A Laudes (Ofício da manhã) é a oração cuja finalidade é consagrar a Deus o início do dia. A Hora Média é oração durante o dia, subdivide-se em três momentos: a Hora Terça, a Hora Sexta e a Hora Nona, também conhecida como o Ofício do meio-dia. As Vésperas (Oficio da tarde) consiste em agradecer a Deus todas as graças recebidas durante o dia e pedir perdão pelas ofensas cometidas. Completas é a oração recitada antes de dormir.

Oração do Rosário

O Oração do Rosário, ou na terminologia popular “O Terço”, é um sinal de devoção a Jesus e Maria propagada entre os católicos. Esta oração pode ser rezada no coletivo ou individual e que consiste na recitação repetida de orações: Pai-nosso e Ave-Marias. Durante a 60ª Assembleia Geral da CNBB os bispos rezam a cada mistério confiando a Deus e à intercessão de Nossa Senhora Aparecida as diversas realidades do povo brasileiro e as iniciativas promovidas pela Igreja.

O Rosário é dividido em quatro mistérios: os gozosos, que refletem o início da vida de Cristo; os luminosos, que abordam as passagens da vida pública de Jesus; os dolorosos, que recordam o sofrimento e Paixão de Jesus; e os gloriosos, que nos recordam os momentos de glória com a ressurreição Jesus.

Os mistérios Gozosos (Segunda-feira e sábado)
– A anunciação do Anjo à Virgem Maria.
– A visita de Maria a Santa Isabel.
– O nascimento de Jesus em Belém.
– A apresentação de Jesus no Templo.
– A perda e encontro de Jesus no Templo.

Mistérios da Luz (Quintas Feiras)
– O batismo de Jesus no Jordão.
– A revelação de Jesus nas bodas de Caná.
– O anúncio do Reino e o convite à conversão.
– A transfiguração de Jesus no Monte Tabor.
– A instituição da Eucaristia.

Mistérios Dolorosos (Terças e Sextas)
– Agonia de Jesus no Horto das Oliveiras.
– Flagelação de Jesus, preso à coluna.
– Coroação de espinhos.
– Jesus carrega a cruz a caminho do Calvário.
– Jesus é crucificado e morre na cruz.

Mistérios Gloriosos (Quartas e Domingo)
– A ressurreição de Jesus.
– A ascensão de Jesus ao céu.
– A descida do Espírito Santo.
– A assunção da Santíssima Virgem ao céu.
– A coroação de Nossa Senhora, como Rainha do céu e da terra.

Por Jaison Alves/CNBB Sul 4
Fotos de capa: Thiago Leon/Santuário Nacional

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